Ano passado, menos 200 de pessoas obtiveram o grau de doutor em física no Brasil. Mesmo assim, é dentro desse estreito círculo que nascem as descobertas e inovações que dão forma ao modo como vivemos e pensamos. Desde os raios-x, ondas de rádio, transistores, lasers, energia atômica, bombas atômicas... tudo isso teve origem com esse grupo de indivíduos esforçados. Ser físico significa ter potencial para mudar o mundo. Implica também partilhar uma história e uma tradição que inspiram orgulho.
Para um físico, os anos mais importantes são aqueles da faculdade e da fase imediatamente posterior. É a época em que ele se define e constrói a sua careira. Na UFRGS, foram 4, 5, 6 anos estudando física para que hoje colemos grau e tenhamos um diploma de bacharel. Nós, que hoje estamos aqui, fomos mais do que formandos, também somos estatística. No nosso vestibular abriram-se 130 vagas para os cursos de bacharelado e licenciatura em física. Somos 13 em palco colando grau. Não foi fácil chegar até aqui.
Mas físicos, somos a mais tempo do que esses 30 minutos que se passaram. Somos físicos desde o momento em que não nos contentávamos com respostas evasivas, quando nossos pais e professores do colégio não conseguiam saciar a nossa curiosidade sobre o mundo de criança que a cada dia nos ofertava uma nova experiencia e uma nova descoberta. Nosso mundo de criança em que a imagição criava e destruia tudo.
Para um físico, a curiosidade e a imaginção são irmãs que jamais se separam. Devem sempre andar de mãos dadas. Sem a curiosidade, não nos interessamos por assuntos novos e não buscamos desafios. Sem a imaginação, somos incapazes de novas ideias e propor soluções que resolvam os problemas já existentes, ou até mesmo imaginar um problema diferente.
A luneta já existia quando surgiu em Galileu a curiosidade de apontar tal objeto para o céu e partir dai novos olhares se estenderam para os astros. Foi a imaginação de Einstein ao se perguntar o que se enxergaria caso andassemos a velocidade da luz, que fez com que ele voltasse seus esforços a tal problema e desenvolvesse toda a teoria da relatividade. Se bem que essas visão é um tanto simplória. Perguntar a um físico, um cientista, como que ele faz uma descoberta, ou como que ele faz para resolver um problema dificil. Seria o mesmo que perguntar a uma centopéia com qual pé ela dá o primeiro passo. Mas colegas e platéia, o único génio que existe, é o do Aladin. Todos os cientistas que hoje nos falamos e reverenciamos não foram gênios. Todos foram arduos trabalharadores do conhecimento. Se debruçaram sobre um problema e o atacaram com todos os seus esforços. Passaram noites sem durmir, passavam o dia no laboratório, a alimentação era segundo plano. E a recompensa? É hoje nós ouvirmos seus nomes, suas teorias e sentirmos orgulho de hoje seguir seus passos. O único lugar onde Sucesso vem antes de Trabalho, é o dicionário.
E vocês meus colegas Bacharéis? Para onde mira as suas curiosidades? O que a imaginação de vocês é capaz? Que nova teoria um de vocês irá propor?
Para responder a essa pergunta, me dou ao direito de ler para vocês um treço do livro “o Arco-iris de Feynman”. Onde dialogam o, então jovem pesquisador, Leonard Mlodinow e Richard Feynman (físico ganhador do nobel de 1965):
-Tem lido algum livro legal nos ultimos tempos? – perguntou Feynman.
-Tenho lido um livro. “O ato da criação”, deixa eu te narrar um treço: Aconteceu em berlim, 1914. Imagine uma fria manhã de primavera. Lá fora soam os sinos de uma igreja. Na sua sala, na universidade de berlim, einstein medita sobre a ainda inacabada teoria da relatividade. Num laboratorio não muito distante dali, numa grande jaula de aço, uma jovem chimpanzé chamada Nueva usa um pedaço de pau para juntar num monte todas as casas de banana espalhadas. Dentro de poucos anos esse episódio seria contato num livro famoso, “A mentalidade dos macacos”. Enquanto dá uma olhada à sua volta, Nueva não se importa em ter ou não fama. Seu mundo é simples. Comer, beber, durmir... Mas no momento ela está faminta, e cascas de banana não vão resolver o seu problema. Enquanto Nueva analisa sua dificil situação, um professor chamado Koehler a examina. Ele, como Nueva e Einstein, também precisa saciar um tipo de fome, e suas anotações estão destinadas a alimentar muitos livros e artigos. Koehler oferece uma banana para Nueva, só que não lhe faz o favor de por a comida dentro da jaula. Em vez disso, ele coloca no chão, mas fora do alcance dela, além das grades.
-Sujeito cruel – observou Feynman
-Ele está lhe propondo um desafio. Para comer, Nueva terá de descobrir como conseguir as bananas. Primeiro, ela faz o óbvio. Avança para as gradas e estica o braço para ofra. Tenta agarrar as frutas, mas elas estão longe demais. Ela se atira no chão da jaula e rola de desespero. Não muito longe dali, Einstein está em meio a nove anos de trabalho dedicados a teoria da relatividade e ainda a um ano de encontrar sua grande solução.
- E provavelmente se sentindo como Nueva – disse Feynman.
- Passam-se 7 minutos. De rependete, Nueva olha para o pedaço de pau. Ela pára de se lamentar e o agarra. Nueva o estica para fora da jaula na direção das frutas e puxa as bannaas até que elas estejam ao alcance do seu braço. Ela fez uma descoberta.
- E o que esse episódio lhe ensinou? – indagou Feynmen.
- Nueva possuia duas habilidades. Uma delas era empurrar coisas por ai com o pedaço de pau. A outra era esticar o braço através das grades para pegar algo. Sua descoberta foi perceber que ela poderia conjugar duas habilidades diferentes e isso alterrou a sua velha ferramente numa nova ferramenta.
- Está perdendo seu tempo – disse Feynman- Você nõa aprende como descobrir as coisas lendo livros sobre isso. Essa história de psicologia não passa de conversa fiada. Pois o que eu aprendi com a sua história foi que, se um macaco pode fazer uma descoberta, você também pode!.
Fazer física é isso! Buscar as bananas que estão longe. Saciar a fome por conhecimento e principlmente, esperniar, gritar e quase enlouquecer quando não conseguimos resolver um problema.
Hoje eu não sei como eu poderia convencer uma pessoa a fazer o curso de física. Ninguém me convenceu a fazer física. Quando eu escolhi estudar física eu simplismente sabia que queria isso. Porque eu precisava saber mais, eu precisava ter resposta para perguntas que os meus professores do ensino médio nunca respondiam e nunca falavam em sala de aula. Eu sabia que eles estavam escondendo algo. Que não podia ser “só aquilo” o que a fisica se propunha a responder. E sabe o que é o pior? A sensação que eu tenho hoje ao me formar, é que a minha ignorância frente ao conhecimento é cada vez maior. Quanto mais eu estudo, mais eu descubro que tem mais e mais assuntos para estudar e que, por melhor professor que eu tenha, ela nunca será capaz de responder todas as perguntas. Então por que eu continuei estudando física?
Para responder a essa pergunta, eu vou roubar mais um treço do livro “arco-iris de feynman”. Me permitam.
Quando o alcancei, ele estava contemplando um arco-iris. Seu rosto mostrava um olhar intenso, como se estivesse concentrado. Como se nunca tivesse visto aquilo. Ou talvez como se aquele fosse o último que ele veria.
-Professor Feynman, oi.
-Olhe, um arco-iris – ele disse.
Me juntei a ele na comtemplação do arco-iris. Quando se parava para olhar, aquilo parecia mesmo impresionante.
-Você quem foi o primeiro a explicar a verdadeira origem do arco-iris? – perguntei a Feynman
- Foi Descartes. E qual você acha que foi a característica do arco-iris que mais se destacou para isnpirá-lo na sua análise matemática?
-Bem, o arco-iris na verdade é o pedaço de um cone que surge como um arco de cores do espectro quando gotas d’agua são iluminadas pelo sol atrás do observador.
-E?
-Suponho que a sua inspiração tenha sido a compreensão de que o problema podia ser analisado a partir de uma única gota d’agua e da geometria da situação.
-Você está deixando de lado uma caracteristica fundamental do fenômeno – ele disse.
-OK, desisto, o que teria inspirado a teoria dele?
-Eu diria que sua inspiração veio do fato de ele achar que os arco-iris eram lindos!
É por isso que estudamos tanto física, porque nós achamos ela linda!
OBrigado